"A campanha desabrocha" coluna Carlos Brickmann

Publicado por: Redação
13/04/2022 03:58 PM
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Cortesia Editorial Pixabay
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Por Carlos Brickmann

Stanislaw Ponte Preta foi um dos melhores e mais divertidos cronistas da nossa história. Fez de tudo – até mesmo a inesquecível música que hoje seria chamada de O Samba do Afrodescendente Portador de Problemas de Equilíbrio Mental. É o autor da frase que melhor explica o Brasil de hoje: estamos indo para o perigoso terreno da galhofa. A turma de Lula nega corrupção, embora alguns já tenham até devolvido algum dinheiro. Lula não tem condenação, como Bolsonaro também não tem – tem apenas aquela coisa da empreiteira que ganha todas, tem as rachadinhas, tem apoio do Valdemar Costa Neto e o Ciro Nogueira é seu ministro. Mas o que leva ao perigoso terreno da galhofa é a maciça compra de genéricos de Viagra para as Forças Armadas. Para que 35 mil comprimidos de Viagra genérico? Marinha e Aeronáutica informam que é para tratar Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), "uma síndrome clínica e hemodinâmica que resulta no aumento da resistência vascular na pequena circulação, elevando os níveis de pressão na circulação pulmonar”. Beleza! Mas em dosagens de 25 e 50 mg? Nessas dosagens, indica a bula, e especialistas confirmam, o produto é indicado apenas para aquilo que todos imaginam. Preço? Uma compra indica R$ 3,65 por comprimido de 25 mg. Outra, R$ 1,50. Numa grande rede de farmácias de São Paulo, a caixa de Citrato de Sildenafila Sandoz, com oito comprimidos de 50 mg, custa R$ 15,17. Sem negociação prévia e no varejo.

 

Pura maldade

Depois do Mensalão, Petrolão, Bolsolão, o Escândalo do Apontaochão.

 

Divergências

É curioso como um governo consegue ter políticas divergentes conforme o setor em que atua. Quem acompanha a política oficial de afrouxar todos os controles sobre o desmatamento da Amazônia seria capaz de garantir que a orientação governamental é permitir a derrubada de tudo que é pau em pé.

 

Tucanos depenados

Um dos mais tradicionais políticos tucanos, Aloysio Nunes Ferreira Filho, que foi chanceler de Michel Temer (e candidato a vice de Aécio, em 2014), diz que o PSDB pode estar em fase terminal. Não é a favor nem contra Bolsonaro; não se manifestou quando o presidente se revelou uma ameaça real à democracia; deixou de se preocupar com as grandes questões nacionais e permitiu que boa parte de seus parlamentares se achegasse ao Governo, “para participar de um pedaço das emendas de relator, uma nomeaçãozinha aqui, uma nomeaçãozinha ali”. Aloysio, em entrevista à CNN, disse que não vai deixar o partido, “embora o PSDB tenha ficado inerte diante de fatos gravíssimos que ocorreram na política brasileira e no Governo Bolsonaro”.

 

Aloysio vem conversando com Lula desde janeiro e provavelmente irá apoiá-lo, porque, a seu ver, não representa qualquer ameaça à democracia.

 

Cristianização

Simone Tebet é uma boa parlamentar, filha de um bom parlamentar, teve papel relevante na CPI da Covid. Pode até ser candidata da terceira via. Mas do MDB, seu partido, é que não será, mesmo que a convenção do partido a aclame. O MDB chegou duas vezes à Presidência, em ambas com a posse do vice. Com candidato próprio, perdeu com Ulysses, Quércia e Henrique Meirelles. Hoje, se divide entre bolsonaristas e lulistas, estes sob o comando de Sarney e Renan. Se Simone sair candidata, será cristianizada – como ocorreu com Cristiano Machado, candidato do PSD à Presidência, em 1950, que viu seu partido, o maior do país, largá-lo e migrar para Getúlio Vargas.

 

Terceira via?

Não há terceira via. Há um sonho que dificilmente dará certo. Pegue todos os candidatos de terceira via e tente descobrir por que querem chegar ao poder. Todos são contra Lula e Bolsonaro (embora, conforme as pesquisas, os eleitores de Moro estejam seguindo para Bolsonaro). Mas de que é que são a favor? Escolha um partido com tradição de estudos políticos, como por exemplo o PSDB. Está pelo menos tão rachado quanto o MDB (e, pior, virou bolsonarista sem se declarar a favor de Bolsonaro). Teste pessoalmente: os tucanos votaram com Bolsonaro pelo menos tantas vezes quanto o Centrão. Se Dória for o candidato, se Leite for o candidato, ambos fecharam em 2018 com Bolsonaro, e deixaram o candidato do partido pendurado na brocha –sem alusão, respeitosamente, a qualquer compra feita pelo Governo.

 

Boa notícia

A Universidade de São Paulo teve onze de seus cursos incluídos na lista de 50 melhores do mundo. A classificação foi publicada nos últimos dia pela Quacquarelli Symonds, empresa do Reino Unido dedicada à análise de qualidade de ensino. O curso da USP com melhor classificação foi Odontologia, em 15º. Na classificação geral, a USP está em 121º lugar entre 1.500 universidades de 88 países. É a melhor universidade brasileira e a terceira da América Latina.

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